CBF e mais nove associações assinam carta de combate ao racismo com a Conmebol

Documento afirma que entidade está comprometida na luta contra a discriminação

GloboEsporte.com / Leonardo Lourenço


A CBF e as outras nove associações que fazem parte da Conmebol, através de seus presidentes, assinaram uma carta em que afirmam estarem “comprometidos com a luta contra o racismo, a discriminação e qualquer ato de violência'.

No documento, escrevem que a confederação, criticada pelos recorrentes casos de racismo em partidas de seus torneios e por punições consideras brandas, “está em linha com as medidas mais rigorosas implementadas nas mais importantes ligas, confederações e Fifa'.

A carta foi redigida após dois episódios que levaram clubes brasileiros a elevarem o tom nas críticas à Conmebol.

Na semana passada, torcedores do Cerro Porteño ofenderam de forma racista o atacante Luighi, do Palmeiras durante partida da Conmebol Libertadores sub-20, no Paraguai. O clube foi punido com multa de US$ 50 mil e jogos por portões fechados.

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, chegou a declarar que as equipes brasileiras poderiam deixar de disputar a Libertadores – o que causaria uma segunda crise na Conmebol.

Na segunda-feira, pouco antes do sorteio dos grupos da Libertadores, ao ser perguntado sobre a possibilidade de boicote brasileiro ao torneio, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, afirmou não acreditar na possibilidade. E completou:

– Seria como Tarzan sem a Chita.

A comparação causou mais uma série de protestos contra o dirigente, como a nota de repúdio que clubes membros da Libra publicaram nesta quinta-feira.

Em resposta aos acontecimentos recentes, a Conmebol convocou uma reunião com autoridades dos governos dos dez países, além de dirigentes de cada associação, para debater o assunto em Luque, na sede da entidade, no próximo dia 27.

Ao ge, o Itamaraty confirmou o convite e a intenção do embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, de participar do encontro.

Veja o texto que foi subscrito pelos dez presidentes das associações-membro da Conmebol:

Atos de racismo, discriminação e violência no futebol

Na CONMEBOL estamos comprometidos com a luta contra o racismo, a discriminação e qualquer ato de violência, dentro e fora dos estádios de futebol.

Estamos perante um problema social mundial que se manifesta através de diversas formas e costumes que afetam muitas sociedades de uma forma particular.

A atuação da CONMEBOL está em linha com as medidas mais rigorosas implementadas nas mais importantes Ligas, Confederações e FIFA.

Como parte da nossa política de combate a esse flagelo, além do que já foi exposto trabalhamos em conjunto com o Observatório de Discriminação Racial no Futebol e o Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos do MERCOSUL (IPPDH).

No último dia 17 de março, nosso Presidente, Sr. Alejandro Domínguez, por ocasião do sorteio da CONMEBOL Libertadores e da CONMEBOL Sul-Americana, comprometeu-se publicamente a convocar as autoridades governamentais e as Associações Membro, a fim de dialogar sobre critérios para enfrentar e perseguir este flagelo.

Consequentemente, no dia 27 de março, a convite da CONMEBOL, os Embaixadores dos dez países sul-americanos que compõem a Confederação e os representantes das Associações Membros se reunirão para debater a luta contra o racismo, a discriminação e a violência. Os resultados desta reunião serão apresentados na reunião do Conselho agendada para 7 de abril.

As Associações Membro que compõem o Conselho Diretivo da CONMEBOL, subscrevem através deste comunicado um chamado à reflexão para estabelecer um clima sem violência, sem discriminação e sem racismo e assim evitar qualquer tipo de manifestação que provoque aumento do confronto entre torcedores e divisão entre os sul-americanos.


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