Clínica é investigada por falhas e risco de contaminação a pacientes renais

Denúncias apontam reutilização de materiais e falhas na higienização de equipamentos

Kamila Alcântara / Campo Grande News


O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu um inquérito para investigar irregularidades em uma clínica de hemodiálise em Campo Grande, após denúncias de falhas no atendimento e riscos à saúde de pacientes do SUS. Relatos indicam o uso indevido de materiais, como capilares reutilizados, expondo pacientes a contaminações. Vistorias da Vigilância Sanitária confirmaram problemas graves, como registros incompletos e falta de higienização adequada. Apesar de medidas corretivas apresentadas pela clínica, as falhas persistem, levando o MPMS a exigir um plano de ação detalhado e a monitorar a situação, visando garantir a segurança dos pacientes.

Um dos relatos que chegou à Ouvidoria do MPMS envolve o uso de um capilar, tubo com membranas por onde passa o sangue durante a filtragem, reutilizado indevidamente entre pacientes. Um paciente com doença renal crônica afirmou ter sido atendido com material já usado em outra pessoa, o que representa risco de contaminação por doenças infecciosas. Segundo ele, mesmo com a presença da Vigilância Sanitária no local, a equipe da clínica não tomou providências.

Vistorias feitas pela vigilância estadual confirmaram problemas sérios, como registros incompletos, sensores de segurança desligados nas máquinas e ausência de protocolos para pacientes com alterações hepáticas. Também foi flagrada a falta de higienização adequada na sala de reprocessamento dos materiais, com torneiras improvisadas com fita crepe, prática que pode facilitar a proliferação de bactérias.

A clínica apresentou medidas corretivas, como treinamento da equipe e reformas no espaço físico. No entanto, o parecer mais recente aponta que as falhas continuam e ainda colocam os pacientes em risco. Por isso, o MPMS determinou que a unidade apresente um plano de ação detalhado e segue monitorando a situação.

O inquérito busca entender se outras pessoas também foram expostas aos mesmos riscos e se a clínica já havia reincidido nessas falhas. Além disso, o Ministério Público acionou órgãos como a vigilância sanitária estadual para colaborar na investigação, com envio de documentos, relatórios e comprovantes das ações tomadas até agora.

Esse caso é acompanhado pelo Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos, por envolver diretamente a segurança de pacientes do sistema público de saúde.


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