Editorias / Policial
Professor da UFMS condenado por crime sexual é demitido 9 anos depois
Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos chegou a ser promovido no início de agosto, mas a mudança foi anulada
Ana Paula Chuva / Campo Grande News
Professor da UFMS, condenado por estupro de aluna, é demitido. Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos foi denunciado por abusar de uma estudante de 22 anos em 2016. O crime ocorreu em uma festa, onde o professor se aproveitou da vulnerabilidade da vítima, que havia ingerido bebida alcoólica. A demissão foi publicada nesta terça-feira, após conclusão do processo administrativo disciplinar. Condenado a 8 anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais, o professor ainda pode recorrer da decisão. Apesar da denúncia em 2016, Luiz Gustavo continuou lecionando por nove anos, sendo afastado apenas em março deste ano após protestos estudantis.
O professor que atuava no Inbio (Instituto de Biologia) da UFMS foi denunciado por estupro contra uma aluna. O crime aconteceu em 2016, durante uma festa em república. Na ocasião, a vítima tinha 22 anos e havia ingerido bebida alcoólica, com isso, Luiz Gustavo aproveitou-se da vulnerabilidade e passou as mãos no corpo da jovem.
A garota foi para o quarto dormir e, segundo a denúncia, foi seguida pelo professor. As amigas da vítima suspeitaram e foram procurar a jovem, mas encontraram o cômodo com a porta fechada. Elas tentaram forçar a entrada, mas Luiz Gustavo destravou a porta e saiu. A vítima estava nua, desorientada e chorando bastante.
Luiz acabou condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto pelo crime e também a pagar R$ 30 mil em indenização à vítima por danos morais. Ele ainda pode recorrer, já que a decisão foi em primeira instância.
Denúncia - O autor chegou a procurar a acadêmica no dia seguinte ao crime e pediu que ela tomasse pílula do dia seguinte. Assustada e incentivada pelas amigas, a jovem procurou a direção da UFMS e denunciou o professor. Mas Luiz continuou ministrando aulas por nove anos.
Em março deste ano, ele chegou a ser afastado quando houve protesto de alunas no campus de Campo Grande. No mês de maio, a medida foi prorrogada por mais 60 dias, mas, no início de agosto deste ano, ele foi promovido de Adjunto/4 para Associado/1.
A mudança foi publicada em portaria que não detalhava casos individuais, porém foi registrada durante apuração administrativa aberta pela UFMS. No dia seguinte, a promoção foi anulada e a instituição manteve Luiz Gustavo afastado.
Protesto - Dois dias após a divulgação da sentença, cerca de 40 estudantes protestaram em frente à Reitoria da UFMS pedindo a exoneração do docente. Com faixas e cartazes, gritaram: “UFMS, vê se escuta, quem estupra não educa' e “Estuprador eu não aceito, cadê a campanha Eu Respeito?'.
Na ocasião, uma ex-aluna de 30 anos, vítima de assédio na época, disse que a decisão judicial “dá um gostinho de justiça, mas ainda há impunidade. Nenhum julgamento paga o que ele fez'.
Outra estudante, de 21 anos, afirmou: “Era aquela coisa de que todo mundo sabia, mas ninguém falava. Hoje estamos aqui para levantar a nossa voz. Existem milhares de denúncias na ouvidoria. É bonito fazer campanhas, mas será que as alunas se sentem seguras em sala de aula?'.
Logo após a promoção, no dia 20 de agosto de 2025, os alunos da universidade fizeram um novo protesto no campus. A gente não vai ficar em silêncio, não iremos ficar quietos aceitando isso. Não temos medo de exigir nossos direitos', disse a estudante Rebeca Garcia, 22 anos, durante o protesto.
Entre os gritos entoados no ato estavam: “UFMS, vê se escuta: quem estupra não educa', “demissão é pra já, estuprador não merece lecionar' e “se tem abuso, tem resistência. Estudantes contra a violência.'
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